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domingo, 13 de outubro de 2013

Parlendas

Parlendas (lenga-lengas) são textos infantis organizados em versos (que rimam ou não) que versam sobre temáticas do imaginário, o que muitas vezes não tem coerência com a lógica ou o pensamento adultos.
Geralmente são cantadas ou recitadas em brincadeiras como roda, faz-de-conta, pular corda etc.
São excelentes textos para se trabalhar a alfabetização, já que são de fácil memorização pelos alfabetizandos. Veja alguns exemplos.

CORRE CUTIA
NA CASA DA TIA.
CORRE CIPÓ
NA CASA DA VÓ.
LENCINHO NA MÃO
CAIU NO CHÃO!
MOÇA BONITA
DO MEU CORAÇÃO.
- POSSO JOGAR?
- PODE!
- NINGUÉM VAI OLHAR?
- NÃO!


BALANÇA, CAIXÃO!
BALANÇA VOCÊ!
DÁ UM TAPA NO BUMBUM
E VAI SE ESCONDER!


UM, DOIS,
FEIJÃO COM ARROZ
TRÊS, QUATRO,
FEIJÃO NO PRATO
CINCO, SEIS,
FEIJÃO INGLÊS
SETE, OITO,
COMER BISCOITO
NOVE, DEZ,
COMER PASTÉIS


-O PAPAGAIO COME MILHO. 
PERIQUITO LEVA A FAMA. 
CANTAM UNS E CHORAM OUTROS
TRISTE SINA DE QUEM AMA. 

EU SOU PEQUENA, 

DA PERNA GROSSA, 
VESTIDO CURTO, 
PAPAI NÃO GOSTA

POR DETRÁS DAQUELE MORRO, 
PASSA BOI, PASSA BOIADA, 
TAMBÉM PASSA MORENINHA, 
DE CABELO CACHEADO

TROPEIRO FALA DE BURRO, 
VAQUEIRO FALA DE BOI, 
JOVEM FALA DE NAMORADA, 
VELHO FALA QUE FOI. 

ERA UMA BRUXA
À MEIA-NOITE
EM UM CASTELO MAL-ASSOMBRADO
COM UMA FACA NA MÃO
PASSANDO MANTEIGA NO PÃO

A SEMPRE-VIVA QUANDO NASCE, 
TOMA CONTA DO JARDIM
EU TAMBÉM QUERO ARRANJAR
QUEM TOME CONTA DE MIM

BATATINHA QUANDO NASCE, 
SE ESPARRAMA PELO CHÃO, 
MAMÃEZINHA QUANDO DORME, 
PÕE A MÃO NO CORAÇÃO. 
ENGANEI UM BOBO
NA CASCA DO OVO! 

 VÁ À …
JÁ FUI E JÁ VOLTEI! 
BURRO QUE NEM VOCÊ NUNCA ENCONTREI

ZÉ CAPILÉ! 
TIRA BICHO DO PÉ
PRA TOMAR COM CAFÉ! 


CALA A BOCA! 
CALA A BOCA JÁ MORREU
QUEM MANDA EM VOCÊ SOU EU! 

COCO PELADO
CAIU NO MELADO
QUEBROU UMA PERNA
FICOU ALEIJADO

QUEM COCHICHA, 

O RABO ESPICHA, 
COME PÃO 
COM LAGARTIXA

REI, CAPITÃO, 

SOLDADO, LADRÃO. 
MOÇA BONITA 
DO MEU CORAÇÃO

FUI À FEIRA COMPRAR UVA. 
ENCONTREI UMA CORUJA, 
PISEI NO RABO DELA. 
ELA ME CHAMOU DE CARA SUJA

DEDO MINDINHO, 

SEU VIZINHO, 
PAI DE TODOS, 
FURA BOLO, 
MATA PIOLHO

BATATINHA QUANDO NASCE
SE ESPARRAMA PELO CHÃO. 
MENININHA QUANDO DORME
PÕE A MÃO NO CORAÇÃO. 

CHUVA E SOL, CASAMENTO
DE ESPANHOL. 
SOL E CHUVA, CASAMENTO 
DE VIÚVA. 

MEIO DIA, 

PANELA NO FOGO, 
BARRIGA VAZIA. 
MACACO TORRADO, 
QUE VEM DA BAHIA, 
FAZENDO CARETA,
PRA DONA SOFIA. 

PAPAGAIO LOURO 

DO BICO DOURADO 
LEVA ESSA CARTINHA 
PRO MEU NAMORADO 
SE TIVER DORMINDO 
BATE NA PORTA 
SE TIVER ACORDADO 
DEIXE O RECADO. 


FUI AO BOTEQUIM 
TOMAR CAFÉ. 
ENCONTREI UM CACHORRINHO 
DE RABINHO EM PÉ. 
SAI PRA FORA, CACHORRINHO, 
QUE EU TE DOU UM PONTAPÉ! 


FUI ANDANDO PELO CAMINHO. 
ÉRAMOS TRÊS, 
COMIGO QUATRO. 
SUBIMOS OS TRÊS NO MORRO, 
COMIGO QUATRO. 
ENCONTRAMOS TRÊS BURROS, 
COMIGO QUATRO. 


PINTO PELADO

CAIU DO TELHADO, 
PERDEU UMA PERNA, 
FICOU ALEIJADO



ALÔ,ALÔ
O GALO JÁ CANTOU
AMARELO, AMARELO
FUI PARAR NO CEMITÉRIO
ROXO, ROXO,
FUI PARAR DENTRO DO COCHO

SALADA, SALADINHA
BEM TEMPERADINHA
COM SAL, PIMENTA
UM, DOIS, TRÊS.

BÃO BALALÃO
BÃO, BABALÃO, 
SENHOR CAPITÃO, 
ESPADA NA CINTA, 
GINETE NA MÃO. 
EM TERRA DE MOURO 
MORREU SEU IRMÃO,
COZIDO E ASSADO 
NO SEU CALDEIRÃO


BÃO-BALALÃO!
SENHOR CAPITÃO! 
EM TERRAS DE MOURO 
MORREU MEU IRMÃO, 
COZIDO E ASSADO 
EM UM CALDEIRÃO; 
EU VI UMA VELHA 
COM UM PRATO NA MÃO, 

CORRE, CUTIA,
NA CASA DA TIA
CORRE CIPÓ
NA CASA DA AVÓ
LENCINHO NA MÃO
CAIU NO CHÃO
MOÇA BONITA
DO MEU CORAÃO
UM,DOIS, TRÊS

QUEM É?
É O PADEIRO
E O QUE QUER?
DINHEIRO
PODE ENTRAR
QUE EU VOU BUSCAR
O SEU DINHEIRO
LÁ EMBAIXO DO TRAVESSEIRO

-O MACACO FOI Á FEIRA
NÃO SABIA O QUE COMPRAR
COMPROU UMA CADEIRA
PRA COMADRE SE SENTAR
A COMADRE SE SENTOU
A CADEIRA ESCORREGOU
COITADINHA DA COMADRE
FOI PARAR NO CORREDOR


EU VI UM SAPO, PÓ NA BEIRA DO RIO, RIO, RIO NÃO ERA SAPÃO, PÃO, PÃO, NEM PERERECA, CÁ ERA O (...JOÃO) SÓ DE CUECA, CÁ , CÁ. 


PISEI NA PEDRINHA, 
A PEDRINHA ROLOU 
PISQUEI PRO MOCINHO, 
MOCINHO GOSTOU 
CONTEI PRA MAMÃE 
MAMÃE NEM LIGOU 
CONTEI PRO PAPAI, 
CHINELO CANTOU. 

Existem parlendas que são cantadas como forma de determinar quem será o primeiro a participar de tal brincadeira, a essas chamamos de parlendas de escolha. Veja os exemplos abaixo.

MINHA MÃE MANDOU 
EU ESCOLHER ESTE DAQUI
MAS COMO EU SOU TEIMOSO,
VOU ESCOLHER ESTE DAQUI


UNI, DUNI,TÊ 
UNI, DUNI, TÊ, 
SALAMÊ, MINGÜÊ, 
UM SORVETE COLORÊ, 
O ESCOLHIDO FOI VOCÊ! 

ENTROU PELA PERNA DO PATO, 
SAIU PELA PERNA DO PINTO. 
O REI MANDOU DIZER
QUE QUEM QUISER
QUE CONTE CINCO: 
UM, DOIS, TRÊS, QUATRO, CINCO

LÁ NA RUA VINTE E QUATRO,
A MULHER MATOU O GATO, COM A SOLA DO SAPATO, 
O SAPATO ESTREMECEU A MULHER MORREU O CULPADO NÃO FUI EU. 

LÁ EM CIMA DO PIANO
TEM UM COPO DE VENENO
QUEM BEBEU, MORREU
O AZAR FOI SEU.

O CAMINHÃO DA LARANJA PASSOU POR AQUI
QUANTAS LARANJAS ELE DEIXOU CAIR?

PÉ DE CHULÉ
CADA VEZ TROCA DE PÉ.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O pescador, o anel e o rei


Conto popular - Música e adaptação: Bia Bedran

Era uma vez um velho pescador que vivia cantando:
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / ninguém nada faz.

Mesmo quando sua pesca não era boa, ele cantava com muita fé e alegria a sua cantiga.
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / ninguém nada faz.

Um dia, o rei daquele lugar soube da existência do pescador e quis que ele fosse à sua presença, por não admitir que Deus podia mais que tudo no mundo... Esse rei era tão poderoso e orgulhoso, que achava que podia até mais que o próprio Deus!
E lá foi o pescador, subindo as escadas de tapete vermelho do palácio, cantando: Viva Deus...

Diante do rei, o pescador não mostrou medo algum, e ainda reafirmou sua fé, cantando a mesma cantiga.
Então o rei disse:
Rei: Vamos verse Deus pode mais que eu, pescador!
Eis aqui o meu anel. Vou entregá-lo aos seus cuidados!
Se dentro de 15 dias você me devolver o anel, intacto, você ganhará um enorme tesouro, e não precisará mais trabalhar para viver.
Porém, se no 15° dia você não voltar com o anel, mando cortar a sua cabeça! Agora vá embora...
O pescador foi embora e na volta pra casa, cantava: Viva Deus...

Quando chegou em casa entregou o anel para a mulher que prometeu guardá-lo a sete chaves. Deixe estar que isso não passava de um plano do rei, que logo mandou um criado disfarçado de mercador, bater na casa do pescador, quando esteja havia saído para pescar.
Criado disfarçado: Ó de casa!
A velha senhora abriu a porta.
Criado: Minha senhora, sou mercador. Vendo e compro anéis. A senhora não teria aí pelas gavetas um anelzlnho para me vender? Pago bem!
E mostrou muito dinheiro.
Velha: Não tenho não senhor. Aqui é casa de pobre. Não tem anel nenhum não.
Mas a velha ficou surpresa com tanto que o homem mostrava.
Acabou caindo na tentação, e vendeu o anel!

No fim do dia, o pescador voltou pra casa cantando: Viva Deus...

...Quando chegou em casa, soube do que havia acontecido e ficou desesperado.
Pescador: Mulher! Você não vendeu o anel não; você vendeu minha cabeça!
E foram correndo procurar o mercador pela floresta, pela estrada, pela praia, pela aldeia e nada...
Claro! À essa altura, o criado disfarçado de mercador já estava longe, e havia jogado o anel em alto mar, a mando do rei, para que nunca mais ninguém pudesse encontrá-lo.
E: o tempo foi passando...
Décimo dia...
O pescador, triste continuava cantando: (mais lento) Viva Deus...
Décimo primeiro dia...
E o pescador cantando e pescando...
Canto: (ainda mais lento) Viva Deus...

Até que no penúltimo dia, o pescador chamou a mulher e disse:
Pescador: Mulher, eu vou morrer... Amanhã, minha cabeça vai rolar. Vamos nos despedir, com uma última refeição. Farei uma boa pescaria. E lá foi o pescador, tristemente, cantando sem parar sua cantiga.
Canto: Viva Deus... (muito triste)

Pescou 50 peixes, 49 ele vendeu no mercado, e 1 levou para mulher preparar.
Ela caprichou no tempero e fez no fogão de lenha, aquele peixe que seria sua última ceia junto com o marido depois de tantos anos. Mastiga daqui, chora dali, pensa de lá, e de repente...
Pescador: (Se engasgando) O que é isso? Mulher (cospe o anel).
Eu não disse que Deus pode mais que todo o mundo?
Canto(bem animado): Viva Deus...

O pescador limpou o anel, e correu em direção ao palácio. Subiu a escadas de tapete vermelho cantando, fez uma reverência para rei, que perguntou todo poderoso:
Rei: E então, pescador? Aonde está o meu anel?
E o pescador, vitorioso:
Pescador: Está aqui, meu rei!
O rei ficou boquiaberto! Não conseguia acreditar...Teve de entregar o tesouro para o pescador. E até o rei teve que cantar:
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / Ninguém nada faz.